terça-feira, 21 de março de 2017

Dicas para ler+ em família (3): temas difíceis - leituras partilhadas


           A experiência de leitura em família que hoje partilhamos vem da casa da professora Cláudia Marinho, que além de apaixonada pelo desporto, é também uma apaixonada pelos livros e pela leitura.
           Neste momento, esta mãe leitora está a viver uma experiência muito interessante de leitura partilhada com a sua filha Filipa, que frequenta o 5º ano: em livros diferentes, ambas leem sobre a difícil temática do Holocausto, partilham episódios, emoções e, sobretudo, a paixão pelos livros. 


Deixamos o testemunho da professora Cláudia, na primeira pessoa, a quem agradecemos a partilha: muito obrigada!


Gosto de ler. Gosto muito de ler. Gosto de conhecer outros lugares, outras vidas, outras histórias através da leitura. Quando termino de ler um livro, fico com saudades das personagens e tenho alguma dificuldade em desligar-me daquele enredo. Curiosamente, eu e a minha filha Filipa partilhamos o mesmo gosto pela leitura. Neste momento, estamos a ler livros diferentes mas com um tema em comum: a perseguição nazi aos judeus.
A Filipa está a ler o “Diário de Anne Frank”, uma menina de uma família judaicaque se refugiou num anexoem Amsterdão, ajudada e protegida por um conjunto de pessoas corajosas e leais, para escapar às perseguições nazis. O seu testemunho relata o dia a dia de várias pessoas, escondidas neste espaço durante dois anos, com o terror de serem descobertos.
Eu estou a ler ”Uma casa de Família”, de Natasha Solomons, inspirado na sua tia avó. Trata-se da vida de uma família judaica de Viena de Áustria. O pai é escritor e a mãe, cantora. Com a ameaça nazi a pairar sobre a Europa e, ao verificarem que muitos dos seus amigos estão a desaparecer, a família Landau teme pela sua segurança e a decisão de fugir do país é dolorosa mas inevitável. No entanto, não conseguem fugir juntos. Aos pais e à irmã mais velha são-lhes garantidos vistos para os Estados Unidos, enquanto que a filha mais nova parte para Inglaterra onde a espera um emprego como criada de uma família aristrocática. Parte com um pequeno tesouro em ouro e pérolas cosidos na baínha dos vestidos, um violino e a promessa de que se reencontrarão dali a seis meses…
Duas histórias, um tema: o Holocausto. Que estas vidas nunca sejam esquecidas.
Boas leituras!


Cláudia Marinho


quinta-feira, 9 de março de 2017

Dicas para LER+ em Família (2): Baralho de Provérbios



Esta ideia, que, segundo a sua autora, já fazia parte das intenções da família há algum tempo, teve o pretexto ideal para ser materializada com a leitura desta obra de António Mota, o autor que abriu em outubro passado as comemorações dos 10 Anos aLER+ em família, por terras de António Feijó.   
A ideia nasceu em casa da Maria José Machado, que além de membro do Programa de Educação Literária na Família, é ainda voluntária da Leitura (e muitas outras coisas), mas sobretudo uma MÃE LEITORA.


Baralho de Provérbios: as cores da bandeira nacional deram o mote para esta
caixinha de sabedoria popular.
A ideia é muito fácil de colocar em prática, está ao alcance de qualquer lar, e permite o envolvimento de TODOS - até dos AVÓS (autênticas fontes de sabedoria popular):

- Recortam-se pequenos cartões;
- Na frente do cartão escreve-se a primeira parte do provérbio, e no verso a segunda parte.
- Depois, é só perguntar... e tentar acertar.
- Pode ser criado um sistema de pontos;
- Podem ser inventados outros "provérbios";
- Podem ser associados a situações do dia a dia;
- Podem criar-se, até, pequenas histórias que contemplem esses provérbios.


É certamente uma excelente ideia para passar bons momentos em família e, simultaneamente, perpetuar esta sabedoria ancestral, passando-a para as gerações mais novas.

Agradecemos à Maria José a partilha e a cedência das fotografias.

Votos de boas leituras!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Dicas para ler+ em família (1): Poesia ao fresco


Não é por ser Carnaval, embora ler nunca faça mal, é mesmo porque qualquer dia é bom para partilhar coisas boas, e hoje queremos partilhar uma experiência de leitura em família, que pode muito bem ser copiada ou ajustada a qualquer lar.

Na casa da professora Luciana Brito, que, além de apaixonada pela Matemática, é também uma mãe leitora, o ano começou com um desafio que a própria lançou:

A cada domingo, cada membro da família fica responsável por apresentar, e partilhar com os restantes elementos, um poema. É simples, não é?




O poema, depois de lido, é colocado na porta do frigorífico (um local que, neste lar, alberga memórias felizes), sendo substituído, a cada domingo, por um novo poema: no final do ano terão certamente um rico Poemário Familiar.


E... de cada vez que alguém vai em busca de alimento para o corpo, encontra também alimento para o espírito.

Agradecemos a partilha, bem como a cedência da fotografia, à Professora Luciana. 
Desejamos à família Brito Araújo um ano repleto de Poesia e ficamos à espera que "a moda pegue"!

Vamos aproveitar o dia mundial da poesia para começar?
Boas Leituras!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Os Três Bandidos


Em mês de Carnaval, deixamos a sugestão de "vestir a capa de bandido" e partir à descoberta deste tesouro...

Esta é uma proposta "extra" da Professora / Mãe / Leitora Ana Margarida Luciano, a quem agradecemos a colaboração.

OS TRÊS BANDIDOS

     Os protagonistas desta história são três bandidos.
                Serão eles três vilões? Ou três heróis?
                Os três bandidos assaltavam carruagens. Um tinha uma pistola, outro tinha um fole cheio de pimenta e o último um enorme machado vermelho.
                E então: heróis ou vilões?
                Mais umas pistas:
                Os três bandidos andavam sempre escondidos por baixo de longas capas pretas e de altos chapéus pretos.
                Assustadores, não?
                E ainda há mais:
                «Sempre que apareciam, as mulheres desmaiavam, os cães metiam a cauda entre as pernas e até os homens mais valentes fugiam.»

                Não te restam dúvidas, são terríveis vilões, estes três bandidos. Aliás, nem era preciso tanto, bastava ler o título e consultar um dicionário:

ban·di·do (substantivo masculino) 1. Pessoa que vive de roubos ou outras atividades ilícitas. = BANDOLEIRO, SALTEADOR 2. Pessoa que é pouco honesta ou tem mau carácter. = PATIFE. (AQUI

                Mas… parece que não é bem assim. É que os três bandidos, no fundo, tinham corações de manteiga, que derreteram completamente quando conheceram Úrsula, uma menina órfã que encontraram sozinha dentro de uma carruagem que tencionavam assaltar.
                A partir dessa noite muito escura, a vida dos três bandidos transformou-se…

                Consegues imaginar como usaram o enorme tesouro que escondiam numa casa, na parte mais alta da montanha?
Este livro de Tomi Ungerer (autor e ilustrador) foi editado pela Kalandraka e é aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura para crianças do 2.º ano de escolaridade (leitura autónoma e/ou leitura com apoio do professor ou dos pais).

Ana Margarida Luciano


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Casa da Mosca Fosca


Retomamos, tal como havia sido prometido, uma rubrica que tem a assinatura da professora Ana Margarida Luciano, que é também uma Mãe / Família Leitora.

Ao longo do ano, iremos revisitar as obras que deram corpo às duas edições do projeto Lê para mim, que depois eu conto...

Como a Mosca Fosca esteve connosco a comemorar o 10º aniversário do projeto, pela voz da Marília, mãe Leitora, que criou novas aventuras para as personagens desta obra, é por aqui que começamos.


Um dos momentos do aniversário 10 anos aLER+ em Família:
"A Sopa do Urso Lambeiro" - continuação das Aventuras da Mosca Fosca.


A Casa da Mosca Fosca 


Autores: Eva Mejuto e Sergio Mora
Editora: Kalandraka

                Eva Mejuto adaptou um conto popular russo e deu-nos a conhecer a Mosca Fosca, que vivia num bosque distante e, «farta de zunir, de dar voltas sem parar/decidiu fazer uma casa para morar». Para morar e não só! Também para receber amigos, para os quais prepararia doces na cozinha.
                Se bem decidiu, melhor o fez. No dia da inauguração do novo lar da Mosca Fosca, um belo cheiro a bolo de amora «espalhou-se pelo bosque afora».
                Um por um, foram chegando os visitantes. O primeiro foi o Escaravelho Carquelho, «aquele que tem o nariz vermelho», o segundo foi o Morcego Ralego, «o que gosta da noite e do sossego», o terceiro… Bem, a certa altura já eram sete (contando com a anfitriã) os convivas reunidos para merendar. Quem não gostou muito de se sentir excluído foi o Urso Lambeiro, «o mais guloso do mundo inteiro»
                Consegues imaginar o que se segue? Sim? Então já sabes como acaba o conto:
 «… com uma dentada e pronto!»


Este é um livro indicado pelo Plano Nacional de Leitura para alunos do 2.º ano (leitura autónoma). As ilustrações de Sergio Mora, que enchem a página e enchem o olho, recriam os divertidos animais protagonistas. Trata-se de uma narrativa acumulativa, rimada, ritmada, que se aproxima das formas da literatura oral. Por isso agrada tanto aos mais pequenos (e não só).

                                                                                                Ana Margarida Luciano


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Em modo aniversário (7): 10 anos a Ler+ em Família

Porque acreditamos que a Leitura nos torna, de facto, mais Felizes, e que Família é o Mediador por excelência, quisemos, com este gesto simbólico, manifestar o nosso interesse em continuar esta missão de Promoção da leitura em Família.


Placa descerrada: Compromisso renovado!



                   "Leitura em Família: A Linguagem dos Afetos"
                          (bem poderia ser a legenda do Logotipo) 
                                    

A Carolina Neves, vencedora do passatempo, vê reconhecido o seu empenho junto do diretor de turma, o Professor Paulo Gonçalves, e da Professora de EV, Teresa Roby, dinamizadora do Passatempo.


Boas Leituras!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em modo aniversário (6): Revisitando a Carochinha


A prova evidente de que o Conto Popular não perde atualidade, é esta reescrita da autoria dos pais Lê para mim..., de Rebordões Souto, que, apesar de já contar com quase 10 anos, continua atual e fez as delícias do nosso público no passado dia 17 de janeiro.
A Gracinda e a Lúcia, felizes com este "regresso" à primeira infância dos seus filhos.

Porque há momentos que queremos manter para sempre na memória, aqui fica o original de 2008, apresentado pela primeira vez, no 
I Encontro Interconcelhio 
Lê para mim, que depois eu conto...

A Carochinha

Para os nossos filhos: Tatiana, Francisca, Liliana, Beatriz e Tiago
As Mães: Gracinda Malheiro, Lúcia Pinto, Paula Rodrigues, Cristina Sousa e Celeste Calheiros
Maio 2008

Andava a Carochinha, de MP3 no ouvido a
escutar o seu
Hip-Hop favorito,
enquanto aspirava a sua casa.

Quando de repente o telemóvel tocou
E ela de alegria saltou alguém do outro lado
lhe disse
que a lotaria ganhou.

Logo correu a comprar um computador e
pôs um anúncio na internet:
-“Carochinha, bonita e jeitosinha aceita
Marido para casar!”
Não tardou a aparecer o primeiro
pretendente.
Marcaram encontro no Shopping
para se conhecerem melhor.
Chega a Carochinha no seu skate quando vê
um Cão, de dentes cerrados, boca
entreaberta e a rosnar.
- Porque estás assim Cão ?- perguntou.
- Estou nervoso de tanto esperar, respondeu.
Nervoso! Tens a doença da raiva? - Para mim já não serves para casar.

Voltou a pôr o anúncio na internet e novo pretendente combinou encontrar.
Lá vai a Carochinha no seu skate muito apressada, para ao encontro não chegar atrasada.
Minutos depois chegou o Galo, de chapéu na cabeça, capote peludo, meias de lã e nariz todo pingão.
- O que te aconteceu ó Galo para vires com esses trajes tão abafados?
-Foi uma pequena gripe que apanhei quando ao estrangeiro viajei.
- Tens a doença da gripe das aves, disse ela. Pois para mim já não serves para casar, outro noivo terei que encontrar.
De novo recorreu às novas tecnologias e no
dia seguinte, bem cedo, lá deu à perna outra vez.
Desta vez era um Boi que saltava, mugia,
soprava e a cabeça baloiçava.

-Porque estás tão inquieto, Boi ?
-Não consigo parar porque estou louco para te amar.
-Louco? Tens a doença das vacas loucas! Para
mim não serves para casar, e de procurar
marido estou a desanimar.
Voltou a Carochinha, no seu skate, muito
triste para casa, afinal procurar marido pela
net não estava a resultar.

Mas mais uma vez tentou, e um novo mail a
animou.
-“Sou o Ratatui: bonito, elegante, trabalhador.
Tenho um curriculum de causar inveja. Serei
o marido que a Carochinha deseja.”
Carochinha ficou a pensar, um marido tão
famoso todos vão cobiçar, por isso o
casamento é melhor marcar.

O dia tão esperado chegou e a Carochinha lá
se casou. Jornalistas e fotógrafos vieram de
todo o lado, saiu nas revistas …

Foi um casamento muito falado!

Os dois pombinhos foram para Paris e o seu
restaurante, Ratatui lhe foi apresentar.
Como esposo dedicado a comida foi preparar, para ser mais rápido, no microondas a pôs a descongelar e lá para dentro foi junto, para a comida poder provar.
Carochinha já estava a desconfiar.
- O maroto fugiu, para não fazer o jantar!
Foi então que começou a procurar, encontrando-o minutos depois no microondas a esturricar:
-Ó que desgraça que aconteceu!! O meu marido assado morreu.
Todos vieram ver o que por este casal podiam fazer.
Inspectores, bombeiros, degustadores e cozinheiros, para estudar o caso veio um cientista e para animar o velório veio um baterista.
Também o gato os seus serviços quis prestar
abriu o microondas e de lá o rato fez saltar.
Toda a gente ficou espantada
com tudo o que aconteceu
o electrodoméstico estava
avariado e o Ratatui não morreu.
Carochinha e Ratatui não cabiam em si de
tanta alegria, pelos amigos e conhecidos
repartiram a lotaria.
Às crianças, brinquedos e goluseimas
quiseram oferecer
e de skate foram ambos o mundo percorrer .


Prontos para acompanhar esta viagem?